Madeiras… Será que é importante para um baterista entender
sobre este assunto? Sim, e muito! Considere os seguintes fatos:
este é, de longe, o material mais utilizado na construção
dos cascos de nossos instrumentos;
as principais características sonoras de um tambor estão
diretamente relacionadas à construção e composição de seu casco;
a nossa própria interação c/ a bateria é, em grande parte,
feita através de artefatos de madeira (baquetas)!
Quando levamos tudo isso em conta, fica fácil chegarmos à
conclusão que o conhecimento sobre os tipos, características e aplicações de
madeiras é de extrema utilidade p/ o baterista, e uma necessidade para quem
encara a bateria com seriedade, quer como hobbista ou profissional.
Para que possamos conhecer mais profundamente os tipos de
madeiras utilizados na construção de instrumentos musicais, precisamos antes
nos familiarizar com alguns termos e conceitos utilizados na análise e
classificação deste material. Nesse primeiro artigo, vamos abordar uma
propriedade muito importante da madeira: a dureza.
Conceito de dureza
A Dureza pode ser definida como a resistência que a madeira
oferece a uma força de penetração; a forma científica para determinar a dureza
de uma madeira é a aplicação da Escala Janka de Dureza.
Criada em 1906 pelo pesquisador austríaco e especialista em
madeiras Gabriel Janka, essa escala mede a força em libras (lbf) necessárias
para inserir uma bola de aço de 11,28 mm, até a metade de seu comprimento, no
pedaço de madeira testado, com margem de variação de até 10%.
Aplicações práticas
Mas para que nos serve saber a classificação Janka de uma
madeira?
Trazendo para o nosso contexto, ela nos diz, entre outras
coisas, o quanto o casco construído com a madeira em questão será resistente a
arranhões, pancadas e ao desgaste natural gerado pelo uso do instrumento. Por
exemplo: o Hard Maple tem a classificação Janka de 1450, enquanto o Poplar
apresenta 540 na mesma escala; podemos esperar, então, que comparando dois
tambores construídos exatamente da mesma forma (exceto pela madeira utilizada,
é claro) e submetidos ao mesmo uso, o tambor de Maple deva ser mais resistente
e durável que aquele de Poplar.
Além disso, podemos prever com maior probabilidade de acerto
se um tipo de baqueta será mais durável ou confortável de tocar do que outro.
Se sabemos que uma baqueta é feita de Hickory (Janka 1820) e outra de Sugar
Maple (Janka 1450), mesmo que as duas tenham o mesmo tamanho e formato, podemos
esperar que a de Hickory seja mais resistente e pesada, enquanto que a de Sugar
Maple provavelmente mais leve e confortável por transmitir menos vibração p/ a
mão do músico.
Conclusão
Neste artigo começamos a explorar os vários elementos que
compõem a “pequena orquestra percussiva de um músico só” que chamamos de
Bateria. Nos próximos artigos da série falaremos mais sobre algumas das
madeiras mais utilizadas na feitura de nossos instrumentos, além de métodos de
construção mais adotados pela indústria do ramo. Até a próxima vez!
P.S. Ao ler este artigo, você demonstrou um verdadeiro
interesse em entender melhor a Bateria e tornar-se um músico mais completo…
parabéns! Você acaba de embarcar em uma viagem de conhecimento do seu
instrumento, com muitos destinos interessantes, e sem data para acabar. Como
alguém que iniciou essa viagem 30 anos atrás, posso lhe dizer que o esforço
requerido para trilhar os caminhos é amplamente recompensado pelo prazer das
várias descobertas e conquistas que o esperam.
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