terça-feira, 22 de novembro de 2016

Madeira: corpo (e alma!) da Bateria​ - Por Aristides TG Cavalcante


Madeiras… Será que é importante para um baterista entender sobre este assunto? Sim, e muito! Considere os seguintes fatos:

este é, de longe, o material mais utilizado na construção dos cascos de nossos instrumentos;
as principais características sonoras de um tambor estão diretamente relacionadas à construção e composição de seu casco;
a nossa própria interação c/ a bateria é, em grande parte, feita através de artefatos de madeira (baquetas)!

Quando levamos tudo isso em conta, fica fácil chegarmos à conclusão que o conhecimento sobre os tipos, características e aplicações de madeiras é de extrema utilidade p/ o baterista, e uma necessidade para quem encara a bateria com seriedade, quer como hobbista ou profissional.

Para que possamos conhecer mais profundamente os tipos de madeiras utilizados na construção de instrumentos musicais, precisamos antes nos familiarizar com alguns termos e conceitos utilizados na análise e classificação deste material. Nesse primeiro artigo, vamos abordar uma propriedade muito importante da madeira: a dureza.

Conceito de dureza
A Dureza pode ser definida como a resistência que a madeira oferece a uma força de penetração; a forma científica para determinar a dureza de uma madeira é a aplicação da Escala Janka de Dureza.

Criada em 1906 pelo pesquisador austríaco e especialista em madeiras Gabriel Janka, essa escala mede a força em libras (lbf) necessárias para inserir uma bola de aço de 11,28 mm, até a metade de seu comprimento, no pedaço de madeira testado, com margem de variação de até 10%.

Aplicações práticas
Mas para que nos serve saber a classificação Janka de uma madeira?

Trazendo para o nosso contexto, ela nos diz, entre outras coisas, o quanto o casco construído com a madeira em questão será resistente a arranhões, pancadas e ao desgaste natural gerado pelo uso do instrumento. Por exemplo: o Hard Maple tem a classificação Janka de 1450, enquanto o Poplar apresenta 540 na mesma escala; podemos esperar, então, que comparando dois tambores construídos exatamente da mesma forma (exceto pela madeira utilizada, é claro) e submetidos ao mesmo uso, o tambor de Maple deva ser mais resistente e durável que aquele de Poplar.

Além disso, podemos prever com maior probabilidade de acerto se um tipo de baqueta será mais durável ou confortável de tocar do que outro. Se sabemos que uma baqueta é feita de Hickory (Janka 1820) e outra de Sugar Maple (Janka 1450), mesmo que as duas tenham o mesmo tamanho e formato, podemos esperar que a de Hickory seja mais resistente e pesada, enquanto que a de Sugar Maple provavelmente mais leve e confortável por transmitir menos vibração p/ a mão do músico.

Conclusão
Neste artigo começamos a explorar os vários elementos que compõem a “pequena orquestra percussiva de um músico só” que chamamos de Bateria. Nos próximos artigos da série falaremos mais sobre algumas das madeiras mais utilizadas na feitura de nossos instrumentos, além de métodos de construção mais adotados pela indústria do ramo. Até a próxima vez!


P.S. Ao ler este artigo, você demonstrou um verdadeiro interesse em entender melhor a Bateria e tornar-se um músico mais completo… parabéns! Você acaba de embarcar em uma viagem de conhecimento do seu instrumento, com muitos destinos interessantes, e sem data para acabar. Como alguém que iniciou essa viagem 30 anos atrás, posso lhe dizer que o esforço requerido para trilhar os caminhos é amplamente recompensado pelo prazer das várias descobertas e conquistas que o esperam.

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